sexta-feira, 29 de maio de 2015

Discursos de poder

Em pleno século XXI estamos saturados de discursos normativos. Traduzindo: seja assim, seja assado, faça isso, não faça aquilo etc.


Ao longo da História também vários discursos foram construídos, em especial em relação ao feminino. Ah, desses existem vários... infelizmente. Nenhum desses discursos conseguiu captar todas as mulheres, seus anseios, seus sonhos, suas dificuldades. Por um motivo bem simples: quem faz os discursos de poder? Os Homens!

E fala a verdade, quando é que um homem conseguiu entender uma mulher?! rs Brincadeiras a parte, esses discursos sobre o ser mulher vão delinear o comportamento considerado correto e o transgressor.

Existem vários discursos famosos: o religioso, o médico, o jurista. Esses três são os mais poderosos.

Sim, é uma relação de poder. Michel Foucault já afirmava que toda relação é permeada de poder, entre homens, entre mulheres, entre homens e mulheres, entre adultos e crianças. Em alguma dessas relações a pessoa experimente exercer o poder dominador, e em outro momento é o dominado.
Para Foucault o poder não é necessariamente negativo, pelo contrário, ele é positivo na medida que estrutura o comportamento e cria normas.
O problema é: que tipo de comportamento e normas?!

Claro, todos vão concordar quando o comportamento "normal" é o respeito a vida, e quem transgride isso (fere ou mata) deve ser julgado e punido. Mas existem outros tipo mais sutis, que não vão a julgamento, mas são julgados mesmo assim pelo social.

Todo discurso normativo se faz PARECER eterno! Se não, você poderia contrariá-lo, o que não seria interessante, pois o objetivo é normatizar as relações sociais.

O mais impactante para nossa sociedade é o discurso religioso, ele sofreu algumas perdas depois do século XIX, mas ainda está muito no imaginário da sociedade. A partir do século XIX temos a ascensão do discurso médico (o cuidado com o corpo) e o jurídico, que vai diferenciar a igualdade formal da igualdade material.

Por exemplo, no discurso médico você que vai lá, senta na frente do médico e fala dos seus sintomas, você tem algum poder? Não. É o médico que vai dizer o que você tem e como deve ser tratado. E pior, numa linguagem que não é pra você entender. Ai hoje você tem uma doença, mas amanha pode ser que seja outra. Hoje não é saudável tomar café, amanhã se você não tomar vai ter alzheimer.

O problema é que esses discursos não te informam que o que eles estão falando é o que se sabe até o momento, ele se faz totalitário, dono da verdade.

Todo discurso normativo cria sua própria linguagem de poder. O médico e o jurista são cheios de palavras que se você não é da área, você não entende nada! E é pra você não entender, pois quem domina o discurso é que deve entender, e não o dominado. Se você quiser se separar, vai precisar de um advogado. Mesmo que seja consensual e sem filhos, o advogado precisa te acompanhar até o cartório e assinar o averbação de divórcio (documento que confirma o seu divórcio), porque nem aí você é completamente autônomo.

Esses discursos vão DIFERENCIAR, de preferencia no falar e no olhar. Entraremos mais nesse assunto em outros post.

Resumindo, todo discurso normativo pode mudar o seu conteúdo, mas o seu objetivo, o seu sentido não muda. E nós, mulheres, já sofremos demais por conta desses discursos que nos querem colocar em padrões de comportamento, corpo, fala e pensamento. Está mais que na hora de refletirmos mais sobre isso e romper de vez com os grilhões que nos prendem.

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